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DONA BILINHA

por feldades, em 28.02.14

NOTA: A partir desta sexta-feira farei algumas transferências do moribundo "blogdomouralima" para este "sapo", que serão intercaladas com novas postagens.

 

Postado originalmente em 07/02/2014.

 

 

Poucas pessoas eu conheci como a dona Bilinha. Imagino que seu nome de batismo seja Isabel e o apelido Belinha. Para nós, no entanto, seu nome era “dona Bilinha”, exceto para papai e mamãe, que eram seus compadres, e um irmão, seu afilhado, quem tinha a prerrogativa de dizer “madrinha Bilinha”. Isso posto, vamos ao que pretendo registrar.

 

Dona Bilinha era uma infatigável senhora. Tinha marido e uma penca de filhos pequenos para cuidar, mas estava sempre a nos ajudar. Mamãe, por ser epilética, tinha dificuldade com a serviçama de casa. Papai saía sempre muito cedo para seu labor diário e nós ficávamos por ali sendo cuidados pela mamãe – e cuidando dela também. A irmã mais velha, que naqueles tempos era muito nova para assumir responsabilidades, já ensaiava os primeiros passos de governanta, mas quem nos assistia de vez em quando era a “fada madrinha” dona Bilinha. É claro que tivemos valiosas ajudas de outras pessoas, de tias, por exemplo, mas hoje me atenho à dona Bilinha.

 

Ela chegava cedo à nossa casa. Cumprimentava mamãe, tomava um golinho de café, segredava algo com a irmã mais velha e logo já estava com a “mão na massa”. Com um lenço amarrado na cabeça, para melhor execução do serviço, entrouxava toda a roupa suja da família e pedia ao maior dos pequenos que levasse para a “mina” (uma pequena caixa d’água na nascente do sítio). Com o auxílio da irmã mais velha, trocava os panos de toda a criançada aproveitando para lavar aquela última roupinha também. A mulher era mesmo um foguete. Em pouco tempo, tudo estava estendido para secar na cerca de arame farpado que protegia a casa. A roupa, que antes estava suja e mal cheirosa,agora ficou limpa e perfumada que nem... que nem a alma de Santo Antônio.

 

Nunca mais vi dona Bilinha. Cresci, fiz-me homem e passei a cuidar de minha vida e também da minha roupa. Soube recentemente que já há muito falecera. Dona Bilinha muito fez por nós crianças. Eu, um dos mais “eradinhos da manada”, deveria ter sido mais atencioso e feito ao menos uma visita àquela querubínica senhora. Nunca fui visitá-la. Aliás, nem sabia onde passou a morar desde que deixara nossa terra e se mudara para Volta Redonda. De seus filhos, lembro-me de alguns: do caçula, Donizete; da Margarida, com apelido de Gaída; e da Ana, de cabelos anelados conforme diziam. Eu, sem saber o significado de “anelado”, pensava que seus cabelos fossem de “melado”, o que me deixava bastante curioso e com vontade de pegar naqueles cachos para ver se eram mesmo doces.

 

Histórias como a de dona Bilinha me fazem refletir. São tantas “Bilinhas” por aí fazendo caridade... São os “abnegados do Reino”, que deixam seus muitos afazeres para fazer algo por alguém. Como disse recentemente um pregador: “Se precisar de alguém, procure quem está ocupado; jamais terá ajuda de quem está à toa”. Segundo este, Cristo somente chamou aqueles que estavam trabalhando. “Tente pedir a um desses sentados na calçada que lhe ajude a fazer um serviço. Ele sairá com um pedaço de pau atrás de você!”, provocou.

Pois dona Bilinha era pobre, cheia de serviço e mesmo assim ia ajudar sua comadre adoentada. Teve, além das bênçãos divinas, a gratidão e o carinho de meus pais. Mas talvez, em seus últimos dias, ela tenha precisado de alguém. E eu não me fiz presente.  

 

FILIPE

 

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FELDADE

por feldades, em 21.02.14

Feldade: O que denota fel; o que se refere a amargo; acrimonioso, amaro. “As suas palavras exprimiam uma recôndita feldade, não obstante a tentativa em disfarçá-la” – Ob. Comp. de A. I.

 

Caro e raro leitor, a definição de “feldade” não pode ser encontrada em dicionário, porque este verbete não existe oficialmente; muito menos “A.I.” (autor inexistente) de cujas “Obras Completas” foi extraída a frase que ilustra o emprego do termo ora criado.

 

Digo “não existe oficialmente”, pois não se pode apontar, jamais, a inexistência de uma palavra. Toda palavra passa existir a partir da primeira vez em que é pronunciada, e se consolida através do registro gráfico em algum texto, obra literária etc. Desta forma, uma palavra pode sobreviver por apenas alguns instantes ou varar milênios. Quem foi o primeiro a pronunciar e a grafar a milenar palavra “Roma”? Não se sabe e nunca se saberá – diversamente de “brandonice” e de sua irmã “feldade”, que acaba de ser gerada e cuja paternidade assumo. Fuçando na WEB, porém, pode-se deparar com esta “cria”. Há pelo menos dois textos cujos títulos se compõem deste “meu” verbete. Mas estão trocando as biroscas e confundindo “fealdade” com “feldade”. A primeira é filha legítima da Língua Pátria. Está dicionarizada e é associada ao antônimo de belo, ao feio; enquanto que “feldade” – esta bastardinha que tentei registrar no “Dicionário inFormal” – se relaciona a fel, pois assim eu quis.

 

Bastarda ou não, esta palavra tornou-se o domínio deste novo blog que ora lhes apresento. Sob o signo de “FELDADES” pretendo dar continuidade por algum tempo às quinzenais publicações. FELDADES sim, pois a vida que concebo é permeada de fel. É amarga, como amargo é o mate que me acompanha durante estas errâncias; ou o chocolate, o lúpulo, o tanino, o cotidiano, a saudade. Venham comigo e não me deixem a sós, pois um homem solitário é um homem amargamente perigoso.

 

FILIPE

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