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O REBANHO EM PERIGO

por feldades, em 28.04.17

Artigo publicado no jornal "A Tribuna", edição de hoje.

 

“Escreva algo positivo no jornal. Tem dia que atendo confissões por até quinze horas, celebro missa no cemitério, faço tantas outras coisas... e você vai ao jornal só para criticar?! Vá lá, escreva alguma coisa boa, que os católicos agradecem!” Assim, o pároco da catedral de Amparo interrompeu a sessão de abraços, fartamente distribuídos aos fiéis numa extensa fila após a missa matinal no Domingo de Páscoa, para me dar esse pito.

 

Penso ser desnecessário dizer publicamente, mas admiro o trabalho do padre Anderson à frente da Catedral. Amável, discreto, exigente e comprometido, esse jovem sacerdote exerce com louvor seu ministério. Suas celebrações são concorridas, sobretudo pelos jovens, que não suportam delongas – aquelas missas intermináveis. Além de pastor zeloso, é um destacado administrador do rico patrimônio histórico sob sua responsabilidade, cuja manutenção é feita com singular desvelo.

 

Justiça seja feita também a inúmeros religiosos, além do padre Anderson, que doam a vida em favor dos deserdados. Num trabalho silencioso, muitos pastores declinam do conforto da “civilização” e se embrenham nos sertões inóspitos, enfrentando os rigores da natureza, a pobreza e muitas vezes os violentos da sociedade. Levam a palavra aos sem voz, a liberdade aos cativos e a alegria aos entristecidos.

 

Padre Anderson tem razão. Eu tenho sido áspero nas minhas observações e talvez injusto nas avaliações. Mas a nota publicada por mim, aqui na Tribuna, pareceu-me justa e não lhe era direcionada. Lamentei o fato de “Biomas”, o tema da Campanha da Fraternidade deste ano, tão rico e oportuno, ter sido ignorado e substituído por “dados estatísticos” de nossa diocese. Também fiz menção a uma “névoa”, intrigante e misteriosa, que encobre a reluzente figura do Papa Francisco cujas exortações não fazem eco por aqui.

 

Reafirmo, com pesar, minha crítica. A CNBB – graças a Deus, nós a temos – vem denunciando veementemente os desmandos da classe política perpetrados contra os trabalhadores.  Estes, os verdadeiros construtores da nação e que vivem exclusivamente de seu labor, assistem pasmados à supressão de seus direitos via reformas: trabalhista e previdenciária. Mas o brado da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil ainda não ressoou nos templos durante as celebrações a que assisto.

 

Nossos pastores deveriam ficar mais atentos ao balido de suas ovelhas, porque uma alcateia está à espreita... e já se aproxima!

FILIPE

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DESÂNIMO

por feldades, em 14.04.17

 

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Desacorçoado. Assim me sinto perante a juventude, de quem Luiz Melodia disse ser ‘transviada’. Não sei se o poeta tinha razão, mas um desalento ameaça nosso futuro. Para onde descaminham essas massas?

 

Lido com jovens de classe média baixa desde “tempos imemoriais” e cada vez mais me surpreendo. Afora as exceções, das quais me nutro, muitos são tíbios nos estudos, lassos nos costumes, uns desapiedados.

 

Dia desses na sala de aula, ouvi algo apologético à pedofilia. O rapaz – que atraía para si a curiosidade e admiração de muitos colegas – ao ser repreendido, retrucou com júbilo: “Sou de menor, o que vão fazer comigo?...” “Mas você já responde por isso, pois tem quase dezoito anos!...” Tentou continuar, mas, na possibilidade de o caso ser levado adiante, aquietou-se.

 

Para muitos, as aulas são maçantes, desinteressantes, enfadonhas. Alguns pedagogos (demagogos) costumam responsabilizar os professores pela má gestão das aulas, resultando no insucesso da aprendizagem. Essa, porém, é outra questão que não quero abordar agora. Já estou suficientemente agastado e este texto não precisa de mais tempero.

 

No País, todos os anos gasta-se ao menos um bilhão de reais com merenda escolar e material didático. Mas carteiras são quebradas, livros amarfanhados, cadernos desfolhados; lápis, borrachas, réguas e canetas encontram-se aos borbotões, abandonados ou destruídos.  Na merenda, pratos de comida – com carne, que muitos nem têm em casa – são jogados no lixo. Ah, tem também as maçãs. Conheci maçã na infância, mas nas páginas de “Branca de Neve”; e na Bíblia, onde se conta a história de Eva, aquela glutona, que irritou o Criador, comendo maçã proibida e corrompendo Adão. Por culpa daqueles dois, fomos expulsos de uma “paradisíaca chácara”, e hoje somos obrigados a ralar para sobreviver. Que casalzinho trouxa! Mesmo embora associada à maldição, costumo comer maçã. De vez em quando, pego uma do chão, já mordida por um daqueles “pestinhas”, lavo, recorto a parte ferida e aproveito o restante.

 

As provas. Estas são elaboradas, impressas e aplicadas. O mano pega, não lê e devolve em branco. “Não vai fazer?”  “Ah, eu num sei, fi. Vô fazê uma coisa que num sei... Sai fora!” “Mas como não? Foi ensinado...” “ num ensina direito, fi... Suave!” “...” Numa dessas avaliações, propus algo assim: “Dona Maria foi à feira e comprou 5 peras (não escrevi maçãs, porque jogam fora!), a um real e sessenta centavos cada uma, trezentos gramas de alho, a 17 reais o quilo e pagou a compra com uma cédula de vinte reais. Determine o troco.” É conta que o ‘seu Zé da feira’, que não completou o primário, faz mentalmente e a todo instante. Mas o meu aluno do Ensino Médio, na escola há mais de dez anos, não conseguiu fazer!

 

Tem mais. Recentemente, num protesto contra o ‘temeroso’ e suas reformas, não havia meia dúzia de jovens. Além deste “ranzinza” que vos aporrinha e outros poucos, estava o Tokinho, o meu velho cãozinho, que não entendeu direito, mas gostou da passeata. Logo o Tokinho, que já nasceu aposentado, teve de sair de sua bacia e foi lutar pelos que desistiram da luta.

 

Jovens, acordai!

 

FILIPE

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