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CARTA AO EREMITA

por feldades, em 21.06.19

Artigo publicado no jornal amparense ‘A Tribuna’. 

 

Caro eremita Vanderlei de Lima, paz e bem!

 

Num texto recentemente publicado neste jornal, o senhor afirma inicialmente: ”A moral católica ensina que, ao contrário de algumas ‘doutrinas errôneas’, é lícito matar alguém em defesa própria”. O senhor continua: “(...) é lícito matar quando um agressor ameaça tomar ou destruir bens de grande valor, não havendo outra maneira de pará-lo”. O senhor vai além: “(...) a legítima defesa é um direito que se torna grave dever, caso seu descumprimento possa expor o próximo a sérios perigos, inclusive de vida. Nesse caso, há que se impedir o injusto agressor, ainda que se recorra às armas, letais ou não”. E o senhor conclui: “Para se cumprir essa nobre missão de defender a vida de terceiros, há a chamada ‘graça de estado’”.

 

A “graça de estado” eu desconheço. Talvez seja uma espécie de salvo-conduto para matar impunemente, penso eu. Mas, com “graça” ou sem “graça”, confesso que fiquei animado, lendo esse seu ensaio tão estimulador dos meus instintos nada pacíficos. Há por aí um sem-número de perigosos gangsteres pondo em risco não a minha vida, mas a de muitos deserdados deste mundo. Todavia, o temor de me tornar um deserdado no outro mundo, além deste do qual nada herdei, é que me faz um homem contido, para não dizer acovardado. Porém, deixando de lado minhas firulas linguísticas, volto a seu texto no intuito de desenvernizá-lo.

 

Caro eremita, embora suas asserções sejam baseadas em trechos do Catecismo e em determinados autores católicos conservadores, elas depõem contra o Santo Magistério. A Igreja de Cristo, a quem o senhor diz servir num eremitério, tem como premissa maior a vida, e jamais a morte. Disso dão testemunho os santos mártires, que abdicaram de sua vida, doando-a. Mas se o testemunho dos nossos mártires não lhe bastam, detenha-se sobre esta passagem das Sagradas Escrituras: “Ouvistes o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente!’ Eu, porém, vos digo: Não enfrenteis quem é malvado! Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda! Se alguém quiser abrir um processo para tomar a sua túnica, dá-lhe também o manto!” Não lhe parece bastante cristalina essa sentença encontrada no evangelho de Mateus?

  

Posto que movido pela sanha militarista que obscurece e assanha a nação, o nobre eremita, que me parece refratário aos ensinamentos sagrados, fica convidado a refletir sobre a luminosa frase de um militar – que não era um simples “capitão reformado”, mas um respeitado marechal.  Nas suas incursões pelo sertão, dizia Cândido Rondon aos seus comandados: “Morrer se preciso for, matar nunca!”

 

FILIPE

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HONESTIDADE

por feldades, em 08.06.19

“Honestidade não é favor, mas dever. Sejamos honestos em tudo!”

 

A frase acima foi rodapé de uma avaliação aplicada aos meus alunos nesta semana. Há tempos, venho insistindo na temática da ‘humildade’, ‘empenho’ e ‘honestidade’, que são valores fundamentais da cidadania. A aprendizagem requer humildade, o reconhecer-se ignorante num assunto. Somente assim e com muitas interrogações é que podemos nos apossar de algum conhecimento. Mas é preciso empenho. Um matemático, dono de uma plataforma digital que prepara legiões de jovens para concursos e vestibulares mundo afora, disse em entrevista, que a preparação decente de um candidato exige a resolução de ao menos dez mil exercícios. Claro que isso varia de acordo com o sujeito. Há alunos que aprendem determinado conteúdo em apenas uma aula; outros, no entanto, passam o ano sem saber sequer começar, e ainda vêm com a pergunta: “Onde vou usar isso?” Resposta: “Em lugar nenhum, porque você não aprendeu!”

 

Tudo bem que para aprender é preciso doses variadas de humildade e empenho. Os gênios, que são raros, estão quase dispensados desses atributos. Mas... e a honestidade? Ah, desta não se prescinde. Todos temos a obrigação moral de ser honestos. Mas honestidade não se reduz a ser ‘bom pagador’, não. Temos que ter honestidade em outros aspectos menos visíveis de nossa vida. Posso pagar o pó de café que peguei emprestado da vizinha, devolver a caneta ao colega, guardar e depois devolver os óculos da dona Maria etc. Posso até entregar religiosamente o dízimo, se religioso eu for. Contudo, talvez eu ainda não seja honesto. Explico.

 

Um ‘‘cidadão de bem’’ que apoia as trapaças do ‘capiroto’, tais como: desobrigação do uso de cadeirinhas  em automóveis para transportar crianças, armamento da população, desativação de radares nas rodovias, desmatamento e abertura de garimpos na  Amazônia, extinção de bolsas universitárias e corte de verbas da educação etc. etc. etc., não é ‘cidadão de bem’ coisíssima nenhuma, mas um tremendo  de um (...).

 

Sempre que vejo imagens de um júri, quando o tribunal está repleto de juristas, todos de ar grave, solene, ostentando valores morais e grandes saberes – uns deles quase divinos – penso: “São honestos? Será que alguém ali colou ou tentou colar na escola? Avançou sinal vermelho? Atropelou e fugiu? Escapou de multa? Sonegou impostos? Sonegou direitos sociais?...” Isso me faz lembrar um antigo conto que li na infância, em que um macaco enrolou o rabo, sentou-se em cima e começou a zombar do rabo dos colegas. Mas, infelizmente, ali não há macacos apenas zombando do rabo alheio.

 

Encontradiça em variados e nos mais inusitados lugares, a desonestidade é praga inextinguível. No momento devido, devo registrar neste “confessionário” alguns desses arroubos meus, dos quais sempre me penitencio.

 

FILIPE

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