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NOTÍCIAS ESCOLARES

por feldades, em 28.09.19

Ao som de “Música Antiga”, um belíssimo programa produzido pela Rádio MEC que o ‘coiso’ pretende fechar, deixo o jornal e começo a dedilhar o teclado do notebook em busca de algo para a postagem de hoje. Na Folha de S. Paulo, uma matéria sob um bem-sucedido programa de alfabetização de adultos me chamou a atenção. Há 45 anos o Colégio Santa Cruz, um dos mais tradicionais do país, oferece gratuitamente aulas, transporte e lanches a um público carente e cada vez mais crescente. Por outro lado, nas escolas oficiais, que são mantidas pelo Estado, o antigo supletivo está deixando de existir por falta de alunos.

 

Noutro recorte de jornal, este do início da semana, uma notícia trágica: “Professor é esfaqueado por aluno dentro de escola na Grande São Paulo”. Lendo a matéria, soube que o professor dá aulas de geografia, tem 55 anos e estaria em estado grave num hospital da região. O algoz é um rapaz de 14 anos, seu aluno. Segundo a reportagem, o professor é querido, apesar de rígido; o agressor, por sua vez, é tido por estudioso, bem-comportado, um “bom moço”! Fiquei sem entender como um jovem “tão bom” pudesse ser assim tão covarde, tão atroz. Ah, o agressor feriu-se também, talvez querendo ‘empatar o jogo’, mas sem gravidade. Parece que a fúria maior seria contra o professor, porque ele apenas se arranhou com a lâmina.

 

Eu me vi “na pele” daquele professor. Um homem já esfolado pela vida e pelos anos, tentando realizar um trabalho cada vez mais penoso. A maioria de nossos jovens não se interessa por leitura nem pela escrita, nem por nada que não seja troca de mensagens nas redes sociais ou joguinhos eletrônicos. Mas há coisas muito tenebrosas nessas mídias que ocupam mente e espírito juvenis, e muito mais nocivas do que os inocentes jogos. Melhor não saber.

 

No Brasil, onde 11 milhões de pessoas com idade de 15 anos ou mais não conseguem ler sequer um bilhete simples, segundo reportagem da Folha, professores são ameaçados, agredidos e até esfaqueados pelos seus próprios alunos. Muito triste!

 

Acabou o programa da Rádio MEC e acho que a Rádio MEC também acabou. Sem “Música Antiga”, perdi a inspiração e encerro o texto por aqui. Sorte do eventual leitor, porque eu estaria disposto a destilar um balde fel nas linhas seguintes. Eu seria lamurioso, chato, muito além do habitual. Então vou nos poupando dessa neura.

 

FILIPE

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OS FRANCISCANOS ESTÃO DE PARTIDA

por feldades, em 14.09.19

Publicado na “Tribuna de Amparo”, edição de hoje.

 

Dia desses, enquanto aguardava na fila de um supermercado, fui despertado da leitura do jornal pelo seguinte diálogo: “Sabia que vão trocar os santos da igreja São Benedito?”, dizia uma senhora à sua amiga, tentando impressioná-la. “Vão, mas não só, porque a igreja nem vai continuar sendo São Benedito. Vão mudar até o nome da paróquia também”, exagerou a outra. “O quê?! Não são apenas os freis?... Se até os santos vão embora, eu também saio de lá”, interveio uma terceira.

 

Exageros à parte, há dias ouço rumores de que os frades franciscanos estariam deixando a Diocese de Amparo, mas nunca dei crédito a tais notícias, que mais me pareciam boatos. Mas agora parece sério.

 

Os franciscanos instalaram-se aqui em 1911, há mais de um século, e nestas terras fundaram convento, formaram comunidades, edificaram capelas, evangelizaram e encantaram o povo com sua abnegação e despojamento. Não me parecia crível, porém, que eles nos deixassem justamente neste momento tão difícil, quando os ânimos andam tão acirrados fora e até mesmo dentro da Igreja.

 

Frei Vanilton e seus dois companheiros, que ora conduzem a Paróquia são Benedito, são formidáveis. Suas homilias são encantatórias porque sucintas e contextualizadas, e as celebrações não cansam a assembleia. Também não se vê nessa tríade nenhum traço de vaidade clerical, algo bastante encontradiço noutras paragens, infelizmente. A sintonia com o bispo diocesano e com o Papa Francisco é outro atributo desses bravos religiosos.

 

Mas já há certeza. Os nossos freis vão mesmo nos deixar e será em breve. Porque eles hão de singrar outros mares e suas redes deverão ser lançadas em águas ainda mais profundas.

 

Ah, quão alvissareira seria uma réplica a este artigo sob o título: “Os franciscanos não estão de partida!”  Não custa sonhar.

 

FILIPE

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