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LEVANDO BRONCA

por feldades, em 20.03.22

Pensava eu que os avançados anos me livrariam das recorrentes broncas recebidas ao longo da infância, juventude e até da maturidade, mas não. Semana passada fui repreendido por um sujeito, que parecia não ter razão. Ao serviço.

 

De vez em quando preciso dar uma tesourada na ‘’espessa cabeleira’’ de um pé de acerola que sombreia todo o quintal e costuma invadir o telhado vizinho. O arbusto já se tornou uma respeitável árvore e nele abriga um sem-número de pássaros dentre os quais, pardais, bem-te-vis, rolinhas etc. Subo numa escada apoiada em sua ramagem e vou aparando as pontas com um alicate de poda. Preciso ser cauteloso porque a escada pode falsear, provocando minha queda, e há entre as folhagens algumas rolinhas aninhadas, às quais não posso causar danos.

  

Cortada toda a galhada, com uma corda de varal amarro um grande feixe e levo para um local distante, à beira do rio. Sempre fiz esse serviço aos domingos, quando o trânsito é calmo, quase inexistente. Dessa vez, porém, decidi trabalhar no meio da semana. Amarrei um feixe, pus às costas e me dirigi à margem do rio, caminhando ao longo de uma rua e tendo que cruzar uma avenida.

 

Levei o primeiro feixe de forma muito sofrida, mas com êxito. O segundo feixe também. Por fim, quando fazia a terceira e última viagem, já arqueado, tive dificuldade para atravessar a avenida porque o trânsito estava intenso demais. Por sorte, um caminhão parou para que eu passasse e assim consegui alcançar o outro lado. Virei para agradecer ao motorista, mas ele já havia partido. Pensei: deve ser um ex-aluno. Sempre que recebo gestos solidários de estranhos, penso nos meus ex-alunos, que são inúmeros e já não os reconheço.

 

Após descer o último feixe, eu voltava feliz por ter conseguido realizar tão árdua tarefa, quando um homem se aproximou, com cara brava e sequer me dando boa-tarde, e me interpelou:  “Você acha certo o que fez?” “Sim”, respondi. Ele se irritou e quase gritou: “Jogar isso aqui é certo?” Eu também me irritei e disse: “Esse terreno é da prefeitura!” O homem, que tem um comércio naquela beira de rio “há 49 ou 51 anos” –  conforme diz e sem saber qual é o número certo –, quis me dar lições. Percebendo o chão movediço sobre o qual pisava, contemporizou: “Sim, é da prefeitura, mas eu fui incumbido de zelar, não permitindo que joguem lixo aqui”. “Mas isso não é lixo, senhor!”, atalhei e emendei: “Lixo eu vejo sempre por aqui. Ontem mesmo eu recolhi garrafa de vidro”. Agora, de bola baixa, ele se explicou: “Toda semana eu mando meu funcionário fazer uma limpa aqui, mas não tem jeito. Sempre jogam. Ali jogaram um caminhão de sucata, tá vendo?”

 

Sentindo que aquele homem, pelo menos no discurso, está preocupado com a limpeza dos espaços públicos, pedi desculpas e lhe perguntei se queria que eu tirasse os galhos de lá.  Ele foi enfático, dizendo que não é necessário, que as folhagens e os galhos apodrecem e viram adubo, que aquilo não é lixo.  Apenas perguntou se eu ainda traria mais. Respondi que não. “Não por hoje?”, quis saber.  “Nunca mais! Bronca eu levo uma vez só”, arrematei.  “Não, não estou dando bronca... Eu te conheço e jamais faria isso contigo”, finalizou.

 

E assim, sem mais aperreios, ficou resolvida a questão.

 

FILIPE

 

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A GUERRA

por feldades, em 05.03.22

Ninguém me pediu opinião sobre a guerra que acontece lá pelas bandas da Europa. Se nada me foi perguntado é por que todos já dominam o assunto, ou por que minha opinião não tem valor algum. Ainda assim, ouso expressar meu ponto de vista sobre a insanidade que ocorre naquelas paragens.

 

O que mais impressiona é que os atores políticos querem tirar proveito da desgraceira que cai sobre os ucranianos. Muitos fazem projeções eleitorais em cima dos cadáveres produzidos por essa guerra bestial. Também no Brasil a esquerda disputa com a direita o butim da guerra. Por aqui há aqueles que se digladiam pela Rússia, e os que se matam pela Otan – todos uns boçais.

 

Vejo essa questão mais ou menos assim. Não conheço o Rio de Janeiro, mas sei que lá há bairros disputados por milicianos e traficantes. Um parêntese: é preciso dizer que milicianos e traficantes são feitos do mesmo “pó”.

 

Deixando “aquele pó” de lado e supondo que o solitário leitor more num bairro onde há disputa entre bandos, o razoável é que o amigo não tome partido de gangue alguma, porque qualquer vacilada porá sua vida e a da família em risco.

 

Nessa analogia, a Ucrânia seria um bairro disputado por dois bandos, de um lado a Rússia e do outro a Otan — esta capitaneada pelos Estados Unidos. O presidente ucraniano, que deveria ter ficado quieto no canto dele, plantando suas roças e vendendo cereais, resolveu abanar o rabo para a Otan e deu no que está dando. A Rússia jamais permitirá que seu quintal, que é a Ucrânia, torne-se uma fortificação dos americanos. E os americanos, que já estão acostumados a cantar de galo em terreiros ultramarinos, querem empoleirar na Ucrânia.

 

O resultado não foi uma guerra da Rússia, mas agressão covarde à Ucrânia, e isso pode ser explicado. Para entender é preciso fazer umas continhas, e eu as fiz. Do ponto de vista militar dos dois países, comparando efetivo, orçamento e arsenal, seria como uma suposta briga num time de futebol quando o goleiro, no caso a Ucrânia, estaria enfrentado os seus dez companheiros, a Rússia. Agora, se levar em conta o arsenal nuclear da Rússia, a briguinha ficaria um pouco mais desigual. Nesse caso, o goleiro, desarmado, enfrentaria seus dez adversários, cada um deles armado com uma garrucha! Acho que fui didático, não?  Então... não dá para apoiar essa invasão, a menos que eu seja mau ou burro, ou um burro mau.

 

O argumento que se usa para apoiar os russos seria o de que os americanos querem cercar a Rússia, estabelecendo-se a poucas centenas de quilômetros de Moscou. Isso é verdade, mas não toda a verdade. Tome como exemplo a miserável Coréia do Norte que é inimiga visceral da opulenta Coréia do Sul. Os capitalistas do sul, com toda a sua riqueza e apoio dos americanos, não conseguem se impor sobre seus irmãos comunistas do norte simplesmente porque estes têm arma nuclear.

 

Em resumo, os interesses da Rússia na Ucrânia são outros e essa invasão não se justifica por motivos de segurança como afirmam alguns. Aos russos não importa onde fica o inimigo, porque seu arsenal nuclear desencoraja qualquer ataque ao Kremlin.

 

FILIPE

 

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