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A PEREGRINA

por feldades, em 11.04.15

Publicado originalmente no "blogdofilipemoura.com", em 25/01/2013

 

A rodoviária estava apinhada de pessoas. Eram muitas centenas, talvez alguns milhares, se contadas mulheres e crianças, para lembrar um texto sagrado. Umas iam, outras voltavam não se sabendo ao certo de onde nem para onde afluíam. Eu também estava tentando ir para algum lugar, mas, talvez diversamente daquela massa, eu sabia exatamente para onde queria ir, embora meu ônibus tenha se recusado a me levar. Por isso, teria que cumprir algumas horas de espera. Contudo, tive sorte ao conseguir um cantinho, onde me sentei para ler uns jornais.  

 

Enquanto estava por ali, fui interrompido por uma insólita figura. Um trôpego sujeito alto, magro, mais para velho do que para moço, de chinelas e trajando calça e camisa claras já meio desbotadas e puídas como as minhas, estacou em minha frente parecendo querer ler comigo no meu jornal. Olhei-o assustado e lhe afastei dos olhos o objeto de sua curiosidade, censurando-lhe o gesto. Ele não se intimidou e agora já me fitava nos olhos. Fiz cara de bravo franzindo o cenho, mas não funcionou. O sujeito estava mesmo decidido a me aporrinhar, não bastassem os transtornos pelos quais eu já estava passando naquele sofrido dia de Ano-Novo. “De onde você é?”- perguntou-me marcialmente. “Não vou responder!” – disse-lhe eu, já quase me levantando e preocupado em ter que ficar em pé, até achar outro banco.

 

O que lhe chamou a atenção pode ter sido minha “companheirinha”. Ela estava comigo desde já há alguns dias. Conhecemo-nos no alto da Mantiqueira, de onde partiu para me acompanhar sem que nos separássemos jamais. Deveria mesmo despertar atenção de mais pessoas além daquele ébrio. Meus cuidados para com ela eram extremos e sua beleza impressionava. Sempre a envolvia nos braços para que nada sofresse, e não sofrera sequer um esbarrão. De vez em quando, aproveitava para lhe afagar as madeixas beijando-a, ainda que disfarçadamente. Temia que fosse incompreendido pelas pessoas ao redor, que ficassem chocadas com minha “impudicícia”.

 

Estava ansioso para chegar à casa do meu pai a fim de lhe apresentar a companheira. Ele já tinha alguma informação a respeito dela, mas talvez não acreditasse que eu seria mesmo capaz de levá-la comigo e que a instalasse por lá. Mas tudo aconteceu conforme planejara, a despeito dos contratempos da viagem que só fez valorizar o evento.

 

Ao chegar, avistei o Velho que vinha caminhando firme e solene ao nosso encontro. Emocionado, inclinou-se num gesto quase litúrgico, pegou minha companheira e a beijou reverente.  Estava, então, nas mãos de meu pai, a quem confiei todos os cuidados, a pequenina OLIVEIRA. Desgarrada dos bíblicos olivais da Terra Santa, passando pelos “Alpes” das Gerais e agora deitando raízes no solo santo do sítio da família, está aquela que é árvore símbolo da fé cristã.

PS.: Estava. Não resistiu ao calor tropical da Zona da Mata mineira.

 

FILIPE

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2 comentários

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De Everton Souza a 15.04.2015 às 01:29

Tadinha da oliveira... Pena que não resistiu. Mas o que mais me intriga é o curioso que apareceu no caminho. Será que ele colocou "olho gordo"? kk
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De feldades a 26.04.2015 às 02:39

Everton, olho gordo , não sei. Mas o bafo...

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