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APANHANDO DE BOLSONARISTA

por feldades, em 11.09.21

Quem tem a “fortuna” de conviver comigo já teve o infortúnio de perceber que sou uma pessoa pouco suportável. Talvez por isso meu círculo de amigos seja muito pequeno e sem que eu tenha pretensões de ampliá-lo. Meu cotidiano é bastante monótono e muitas vezes procuro um refúgio para, em voluntária solidão, fazer acertos e reparos em minha maculada alma. Todavia, estando com pessoas com quem tenho afinidade, costumo ficar à vontade para expor pontos de vista. Foi mais ou menos isso que me aconteceu dois dias atrás.

 

De manhãzinha, assim que cheguei à escola, um pequeno grupo de colegas começou a falar sobre os malefícios causados por aquela figura abjeta alçada à presidência da República. Havia manifestações de caminhoneiros com obstrução de rodovias etc., e uma amiga estava indignada porque um familiar dela, que também é caminhoneiro, e mesmo sofrendo as agruras socioeconômicas desse desgoverno, defende o ogro. Até esse momento todos falávamos serenamente. No entanto, uma professora chega subitamente, entra na roda e dardeja: “Agora tudo é culpa do Bolsonaro! É só ele?!” Todos a olhamos assombrados, quase sem ter o que dizer, mas lancei um torpedo: “Sim, ele é um capeta!” Eu disse “capeta”, mas não deveria escrever isso  porque meu pai, que costuma ler este blog, deverá me passar um corretivo – não em defesa do ’capeta’ ops!, mas por que não devemos xingar ninguém, nem mesmo aquele ‘coisa-ruim’.

 

Mas a mulher “chegou chegando”, como dizem os ‘modernos’, e dominou a banca. Dos que participavam da roda, três se calaram, restando apenas uma amiga e este infortunado, que sou eu. Dedo em riste na nossa direção, ela vociferava: “Vocês são comunistas, petistas e só querem bagunça. Nós não. Somos gente de bem, somos família. Bolsonaro é pela família.” “Sim, Bolsonaro gosta tanto, que já está na quarta família!”, ironizei. Mas a intrépida senhora estava disposta a continuar o entrevero, e tinha energia para isso. Disse (gritando) sobre o progresso que Bolsonaro teria levado ao Nordeste, agora com estradas e muitas outras coisas boas que só ele, mais ninguém, foi capaz de fazer.

 

Eu estava apanhando bastante da bolsonarista e tentei me defender, agora atacando: “Você é professora e não conhece a história do Brasil?!” “Conheço, sim. Eu fiz direito, sabia?” “Ah, fez?... Mas não parece. Não sabe o que foi a ditadura militar, endeusada pelo genocida, nem o que foi a tortura, que ele defende...” “Então... você, que sabe muito, venha dar aula pra nós!” Nisso entrava o professor de história, a quem ela abordou para lhe dizer: “Olha, o sabe-tudo ali vai dar aula de história pra nós!!!” O professor não estava entendendo nada do que acontecia (sorte dele), mas ficou um tempinho ali, tentando dar pé do ocorrido. E eu, já agastado com tudo, encerrei com esta: “É um absurdo professor não conhecer a história recente do país. Que futuro terão nossos jovens?...”

 

Não sei o que mais aborrece: se esse fla-flu entre “gente de bem” e “gente do bem” ou a indigência intelectual de nossos mestres.

 

FILIPE

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1 comentário

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De Zé Onofre a 11.09.2021 às 03:38

Filipe
Cá por Portugal, dizem, que fizemos uma revolução, que segundo outros ficou pelo caminho, que fez cair uma ditadura de 48 anos. Estamos no 48º ano do 25 de Abril de 1974 (completam-se em Abril de 2022).
Pois agora temos que aturar uns pândegos, racistas, xenófobos, defensores da Lei, da Ordem e da Família (lemas dos ditadores Salazar e Caetano).
Muitos jovens estão com eles. Pensam que a liberdade que agora têm de atacar a democracia caiu do céu aos trambolhões.
À conclusão que chego é que essa gente não raciocina, apenas despeja palavras de ódio.
Espero que se livrem rapidamente do Bolsonaro e espero que por cá, Portugal, não tenhamos que aturar outro - André Ventura.
O desabafo foi longo pelo que peço desculpa.
Zé Onofre

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