Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]





Comentários recentes

  • Anónimo

    Obrigado, Mano,por mais uma bela crônica sobre nos...

  • Anónimo

    Que triste pensar nas “ruínas” que já foram palco ...

  • Anónimo

    Que dizer?Esperar para crer?Crer que não adianta e...

  • Thais

    Que texto lindo!! Me emocionei com suas palavras. ...

  • Anónimo

    Só não conheci o Sr. José pessoalmente, mas sei ...






ASSOMBRAÇÕES

por feldades, em 09.06.17

A minha infância foi recheada de histórias de assombração. Alguns desses casos pareciam verdadeiros, a fonte era confiável, mas nunca consegui acreditar nisso.  Estradas desertas, casas abandonadas e encruzilhadas eram lugares preferidos das “coisas do outro mundo”.  Algumas dessas “almas penadas” ficariam empoleiradas nas porteiras durante a madrugada. Quando alguém se aproximava, a “coisa” abria a porteira para que o andante passasse tranquilamente. Tranquilo?... Segundo contavam, o coitado partia desesperado, em desabalada carreira. Chegando em casa, pedia que não acendessem luz; tinha que ficar no escuro por algum tempo, não se sabe por quê.  

 

De um vizinho, homem respeitado por sua valentia, contava-se que a “coisa” montara na garupa de sua mula. O “indesejado” o acompanhou por todo o trajeto, gelando sua cacunda, até chegar em casa. O animal bufava e suava, trotando com dificuldade, pois o troço era pesado à beça.  Noutro episódio, um parente próximo teve de abandonar sua própria casa devido a fenômenos estranhos. Os casos que ele conta são de arrepiar até os mais céticos, como eu.

 

Recentemente, um colunista da Folha contou uma história dessas ocorrida em Ipanema, no Rio de Janeiro. Após o falecimento do ocupante, um apartamento entrou em reformas, mas alguns operários se recusaram a trabalhar lá. Descargas sanitárias eram acionadas misteriosamente, lâmpadas piscavam, martelos mudavam de lugar; respirações ofegantes, tosses, pigarros, passos também aconteciam sem que tivesse alguém no local além do operário. Até o porteiro evitava visitar o imóvel devido ao caso. Um senhor, alheio aos acontecimentos, alugou o apartamento e morou nele por um tempo, mas não resistiu. Bateu em retirada, porque a coisa estava cada vez mais fora de controle nas suas noites, que se tornavam longas e tenebrosas.

 

Não acredito em assombrações, porque elas só aparecem a alguém sozinho, à noite, mas nunca no meio do dia e para um grupo de pessoas. São elas tímidas, ou covardes? Mais: por que ao invés de remover um pequeno objeto, como um martelo ou um livro, a danada não desloca a geladeira da cozinha para a sala, ou um guarda-roupa do quarto para a cozinha? Aí, sim, seria mais emocionante, não?...

 

Ainda. Por que os “seres das sombras” não agem no sistema bancário, fazendo transferências de uma conta para outra? Não dominam a tecnologia?... Se são do mal, poderiam praticar a maldade de forma mais efetiva e charmosa; sendo do bem, a justiça social triunfaria!

 

Há pouco tempo uma dessas assombrações pareceu ser do bem, quando o “usurpador” foi enxotado do Palácio da Alvorada. Que interessante: um “vampiro” atormentado por “zumbis”, que o puseram para correr! Mas poderiam ter feito o serviço completo, expulsando-o também do Jaburu, de Brasília, do País... que se encontra cada vez mais mal-assombrado.

 

FILIPE

Autoria e outros dados (tags, etc)


5 comentários

Sem imagem de perfil

De Lucia Bastos a 09.06.2017 às 15:50

Muito bom... fez rir um pouco, rs.rs... eu que não acordei muito bem hoje!! obrigada! abraço.
Sem imagem de perfil

De Carlos Lopes a 09.06.2017 às 22:06


Assim como as crianças gostam das estórias a maioria dos adultos, mesmos os mais céticos curtem contos de assombrações, e cá pra nós é uma sensação misteriosa e boa de se ouvir...
Mas desde de criança aprendi nunca confundir gatos por lebres...os fantasmas não precisam de dinheiro e no nosso País os políticos são zumbis vivos apenas com ganância de devorar tudo.
Sem imagem de perfil

De frei Gabriel a 10.06.2017 às 22:35

Ah, Filipe, como era gostoso antigamente escutar um bom causo de assombração. Sobretudo à noite. E como os mais velhos gostavam de judiar das crianças com essas estórias. A gente morria de medo, mas queria escutar até o fim. Quando se percebia que um menino estava fora de casa, já escurecendo, e que teria que voltar sozinho, aí havia um prato cheio para os adultos tirarem de seu baú coisas mais horrendas. Se assombração existe, não sei. Mas testemunhei um episódio parecido com o do colunista. Um casal novo com seus dois filhos gêmeos foram morar numa casa antiga. Ninguém conseguia dormir à noite. As crianças, ainda bebês choravam o tempo todo. Uma péssima sensação no ar. Depois descobriram que alguém havia sido assassinado na casa. No assoalho havia ainda marca de sangue, por ser de madeira. Tiveram que bater retirada, apesar da invocação poderosa de bênção do pobre e encabulado (e medroso) freizinho!
Sem imagem de perfil

De Imaculada a 11.06.2017 às 12:51

Filipe, bom dia! Todos nós tivemos esses momentos com histórias de assombrações e meu pai amava contar. Minha tia Rosa sabendo do nosso medo se vestia com lençol branco em noite de lua cheia e nos assustava quando eu, meus irmãos e primos brincavam no terreiro, a gente disparava correndo pra dentro de casa desesperados. Só depois de adultos que ela nos contou. Obrigada por me lembrar de memórias de minha infância. Abraços. Imaculada.
Imagem de perfil

De aureliano a 19.06.2017 às 14:40

Filipe,
já passei muitos apuros com as estórias de assombração. Na hora de voltar para casa, à noite, no escuro... era um negócio! Qualquer ventinho que balançasse uma folha ou movesse um pedaço de papel, era a assombração! Chegava em casa num tiro!
Hoje não há mais assombração. Elas desapareceram com a distanciamento das pessoas, com as nets e os celulares. Ninguém mas conta causo; mas também não há quem os escute. Hoje, somente os palácios continuam mal assombrados.


Comentar post





Comentários recentes

  • Anónimo

    Obrigado, Mano,por mais uma bela crônica sobre nos...

  • Anónimo

    Que triste pensar nas “ruínas” que já foram palco ...

  • Anónimo

    Que dizer?Esperar para crer?Crer que não adianta e...

  • Thais

    Que texto lindo!! Me emocionei com suas palavras. ...

  • Anónimo

    Só não conheci o Sr. José pessoalmente, mas sei ...