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DA UTILIDADE DE UM VARAL

por feldades, em 29.08.15

Publicado no blogdofilipemoura em 02/11/2012

 

“Homens, amem suas mulheres, mas não se esqueçam: façam para elas um bom varal. Aliás, um não, mas quantos varais elas pedirem. E os façam bem resistentes, de modo que suportem uma boa carga de roupa molhada. Ainda: não usem, jamais, cordas de nylon. Estas se ressecam com o tempo e, arrebentando-se, arrebentam com a paz no relacionamento!”. Esse deveria ser um preceito para todos os homens que querem conservar o sorriso da amada durante toda a vida conjugal. Desconfio que um bom varal seja o sonho de consumo de muitas prendadas damas e, se não suficiente, necessário para sustentar a harmonia entre casais que dele faz uso diariamente. Essa cordinha mágica une mais do que duas paredes. Une corações e ainda suporta algo bem mais do que as roupas molhadas; suporta, talvez, o peso do relacionamento. Resumindo, penso não haver casal completamente feliz sem um bom varal.

 

Eu, particularmente, não sou afeito apenas a varais. Considero igualmente necessário um bom prego fincado na parede. Este magnífico fruto do engenho humano continua sendo de grande utilidade. Quando menino, eu tinha um só meu. Pendurava nele meu embornal cheio de cadernos e preocupações escolares. No começo, quando tinha apenas um caderno, ia bem; porém, depois tive cadernos mais robustos e alguns livros, o que fez incomodar bastante o preguinho companheiro.  Ele ficava bambo, parecendo meio ébrio, incapaz de suportar tamanha carga que, vez por outra, fazia vir tudo a baixo. Mas, de posse de um martelo e para aborrecimento de papai, já o fincava noutro tijolo mais resistente esburacando ainda mais a  parede, mas podendo, com isso, pendurar sacolas mais exigentes.

 

Mas voltando ao varal, quando criança, não tínhamos problemas em fazê-lo. Havia ao redor de nossa casa uma cerca de arame farpado com dupla função: impedir que as vacas entrassem em casa, e estender a roupa que a irmã mais velha lavava para secar. Um de nós era sempre escalado para ficar vigiando o gado. Assim que a irmã estendia a roupa, aparecia uma ou outra vaquinha querendo lanchá-la. Eu mesmo tive que resgatar ao menos uma camisa da boca de uma delas. Foi uma operação difícil, pois a vaquinha se achava no direito de engolir uma das poucas camisas que eu tinha. Consegui pegar de volta estando já meio esgarçada, repuxada, mas ainda deu para usar.

 

Sobre pregos em paredes... Não sei. Mas continuo recomendando um bom varal dentro de casa. Experimente, pois assim você não vai se preocupar em como guardar a roupa que usou por hoje, mas que gostaria de aproveitar um pouco mais antes de pô-la pra lavar. Talvez ninguém perceba que você esteja ”reciclando-as”, pois o varal as mantém bem esticadas, secas, perfum... Bom, aí já é querer muito! Mas, fica bem melhor do que socá-las no guarda-roupa, amarfanhando-as, mofando-as etc. Não é prático? Prego na parede, varal dentro de casa, pão com ovo, e muitas outras coisas, todo mundo que conhece, gosta, mas tem vergonha de admitir.

 

 FILIPE

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1 comentário

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De Everton Souza a 12.09.2015 às 00:44

Este texto fez-me pensar sobre a faticidade da vida humana. Coisas simples que fazem parte da nossa rotina, coisas essas que muitas vezes definem quem realmente somos.
Sobre pôr roupa em varal ao invés de socá-la no guarda-roupas, tenho um trauma, kkk. Dias atrás coloquei minha meia de corrida para secar a sol no varal, minha esposa não entendeu minha intenção e colocou-a de volta com as meias lavadas... tragédia, kk.

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