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LIRISMO E REALIDADE

por feldades, em 01.05.15

LIRISMO: “Tapera de beira de estrada...”, assim começa uma música nesta fria madrugada de primeiro de maio. Enquanto faço estes rabiscos para o blog, ouço, na varanda de meus pais e ao lume trêmulo de uma lamparina, umas músicas de raiz.  A chama da lamparina vai e volta, inclina-se para cá e para lá, parecendo-se curiosa sobre o que escrevo. Mas não, são delírios meus. Essa lamparina evoca “os tempos mais antigos do passado”, quando não tínhamos luz elétrica nem água encanada e morávamos aqui, onde ainda permanecem meus velhos e queridos pais.

 

A chama está agora verticalmente ereta e parece ter desistido da curiosidade para se concentrar na música de Tonico e Tinoco, que tangem suas cordas no minúsculo aparelho de meu pai. Aqui, neste momento, dois mundos tão díspares se encontram: o da tecnologia digital, do século vinte e um, e o da novecentista lamparina a querosene. De permeio, este intruso que divaga.

 

Recordo o passado embalado pelos cantadores de alma pura, acompanhado do chimarrão, de um livro de preces e de um “Andrea Del Fuego”. Escrevo o texto num  papel de pizza – mais tarde, plasmado na tela, percorrerá o continente e cruzará o Atlântico para buscar abrigo no “feldades”, já em terras de Camões.

 

A alegria de estar aqui transcende a tempo e espaço, e o que é transcendente não se descreve: contempla-se, apenas. E eu continuo aqui, meio desequilibrado com o que aprecio. Ao longe, um galo também se encanta.

 

REALIDADE: Mas a realidade me fere e me desperta. Lá bem distante, nas bandeirantes terras de São Paulo, o estado mais rico da nação, muitos professores estão em greve. Nas escolas faltam de tudo: carteiras, cortinas, vidraças, água, vagas para alunos e, incrível: pratos e talheres. Há casos de escolas em que se usam pratos e talheres de plásticos, sem reposição ou troca, há mais de quinze anos. São utensilhos cheios de ranhuras, um abrigo para colônias de fungos e bactérias, um atentado à saúde. E o pior: alunos e professores convivem com essa precariedade, típica de um país subsaariano, como se fosse normal. É normal que o estado de São Paulo, com um terço da riqueza da Nação, ofereça escolas tão precárias?

 

Desculpe-me a quebra de lirismo, mas não me contive. Se quiser saber mais sobre o estado crítico em que nos encontramos, acesse um texto recém publicado em minha página do “feice” sob o título: "Por que lutamos?"

 

Termino este, desconfiado de que meu tempo por aqui esteja expirando. Minha mãe sempre nos disse que “tudo tem conta, peso e medida”.

 

FILIPE

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6 comentários

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De Carlos lopes a 03.05.2015 às 01:14

"senti até o cheirinho de querosene"...Você interrompeu um belo e raro momento de contemplação, de vida e pureza e entrou numa de horror com uma realidade que está sendo mudada por pessoas como você; talvez não chegue a ver, mas outros colherão desses frutos, dessa terra, hoje seca, mas que muitos estão preparando para o plantio.
"Faça das tripas o coração, mas não troque um pelo outro".


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De Ana Miriam a 03.05.2015 às 17:56

Está muito cansativo discutir qualquer problema em nosso país, tudo gira em torno de fora Dilma, fora PT. Não olham ao seu redor, cidade, estado. Cansei
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De feldades a 03.05.2015 às 18:06

É, Ana Miriam, fico bastante desanimado com tudo isso.
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De Anónimo a 05.05.2015 às 10:47

Felipe é isso mesmo vivemos o virtual e o real misturados e percebo que nem todos conseguem separar. A nostalgia nos encanta, mas a realidade nos questiona e exige que tomemos posição diante dos conflitos. Que as nossas letras e palavras possam ir além onde o comodismo e o individualismo não nos deixe quietos. Gostei e continuo gostando e compartilhando de seus textos.
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De Aureliano a 07.05.2015 às 21:14

Filipe,
conjugar lirismo, utopia, imaginação e realidade não é tarefa fácil. Na maioria das vezes, como você fez no texto, tende-se a separar. 'Ora trato disto depois trato daquilo'. 'Agora faço minha oração, depois, minha obrigação'.
Quantas vezes se ouve: "Como era bom quando estava no ventre de minha mãe! Não me preocupava com nada!" O desejo de fuga da realidade e a necessidade que se nos impõe de enfrentarmos os desafios com que todos os dias nos deparamos é uma realidade verdadeiramente humana. Digo humana porque os irracionais vivem noutra dimensão. Porém, não são todos que se dão o trabalho deste enfrentamento. Muitos preferem outros caminhos, certamente, mais fáceis, porém terrivelmente destruidores de si ou dos outros. É só descobrir a cabeça, abrir os olhos e ver.
Os embalos de uma vida 'uterina' retratada na sua lírica descrição, poderão fornecer energia para o enfrentamento da 'real realidade' de um 'mundo cão'.
Papa Francisco faz um convite: 'sair de si'. Uma tarefa para toda a vida.
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De Everton a 22.05.2015 às 16:04

O senhor governador quer isto mesmo. Ele quer que os jovens estudem, mas não estudem. Ele quer que a sociedade seja aparentemente letrada e praticamente alienada e ignorante. Isso explica o fato de estarmos num Estado rico, mas com uma educação pobre e decadente.

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