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O OGRO DO PLANALTO

por feldades, em 19.12.20

A fila era maior nas manhãs de segunda-feira, quando havia cerca de uma dezena de “estropiados” aguardando atendimento na enfermaria da unidade militar de cavalaria – onde servi no ano de 1980. O médico era um tenente, mas o cabo Valadares é que tinha mais contato conosco e quem ministrava a famosa injeção de eucalipto, que servia para tudo e doía pra burro. Mas nem sempre sobrava serviço para o cabo Valadares, porque de vez em quando o subcomandante, um capitão paraquedista, aparecia subitamente e, vociferante, punha todos em posição de sentido. Depois de uma saraivada de impropérios, interpelava um por um: “Soldado, o que você tem?” “Estou com dor de cabeça.” “Isso não é nada. Pode descer! E você, o que sente?” “Tenho tontura” “Isso é ressaca. Pode descer também!” E assim, em um minuto ele esvaziava a enfermaria.

 

Eu trouxe esse fato aqui para mostrar como funciona a cabeça de alguns militares, que têm a hierarquia como dogma. Do ponto de vista ético, moral ou profissional, a autoridade na enfermaria deveria ser do tenente, que era o médico da unidade. Mas o capitão, por ostentar uma estrela a mais, feito o “cavalão” de Brasília, atropelava seu subordinado.

 

Também na Presidência há um capitão. De tumultuada carreira militar, encerrada com muitos processos, julgamentos e uma aposentadoria compulsória aos 33 anos – um presentaço para quem nunca fez nada na vida além de intrigas e motins – esse sujeito tem a seu comando muitos coronéis e generais. Não consigo saber o que é mais ridículo: um capitão ter fetiche por dar ordens a generais ou generais se submeterem a um “ex-capitãozinho” apenas para ter um soldo mais gordo.

 

Mas eu quero falar sobre o Ministério da Saúde, hoje comandado por militares: o ministro é general e seu segundo, o diretor-executivo, é coronel.  Como se vê, essa pasta não está sendo comandada por especialistas em salvar vidas e nem por alguém desejoso de ouvir quem entende do riscado.  Prova disso é que, dias atrás, o general-ministro convocou os pesquisadores do seu ministério, não para discutir meios de combater a pandemia, mas para humilhá-los. Nessa reunião os microfones dos pesquisadores foram desligados e eles não puderam fazer nenhuma intervenção enquanto a cúpula militar lhes dava instruções. É esse o pensamento de quem saiu do quartel para ocupar cargos no governo. Pergunto: como um militar pode ocupar cargo civil se um civil não pode ocupar cargo militar?... Não está assimétrica essa relação? Mas uma coisa ficou patente: os militares, pelo menos os que estão no governo, não têm competência administrativa e são fracos intelectualmente. Seus esgares autoritários dão-se em razão da absoluta incapacidade de argumentação.

 

Pois é... o povo segue sofrendo com desemprego e uma pandemia sem fim. São milhões de infectados, centenas de milhares de mortos, mas o ogro do Planalto sai às ruas sem “focinheira” e arrotando as asnices de sempre. Mas ele está certo porque, apesar do desastre de seu governo, ainda tem apoio de metade da população. Cá pra nós: eta povo besta, não?!   

 

FILIPE 

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2 comentários

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De Anónimo a 19.12.2020 às 13:32

E pensar que o povo está disposto a elegê-lo por mais 4 anos, estarrece!
Assim como estarrece a desintegração da oposição, cada caudilho apegado a seu posto, ninguém querendo ser um pouco humilde para ensejar uma campanha unificada de combate ao que está aí, e com propostas sérias de pessoas sérias para determos a decomposição da res-pública e a destruição dos programas humanitários, sociais e ecológicos que começavam a engatinhar!
Se pudéssemos perceber algo parecido: Tu vens, tu vens, eu já escuto os teus sinais!
Ainda bem que vivemos também (e sobretudo) de fé religiosa!
(Freizinho)
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De Anónimo a 20.12.2020 às 23:21

Paz e Bem, parabéns.
Seu jeito de escrever é cativante.

“O trabalho do escritor é oferecer uma história que envolve, fascina, prova e, acima de tudo registra-se como única” – Thomas C. Foster

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