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Na semana passada havíamos planejado viagem para uma pequena cidade de Minas Gerais, onde passaríamos o dia de hoje. Eu estava animado no começo, mas fui desistindo aos poucos, até abandonar a ideia.
E o meu dia começou cedo. Tão cedo, que seu início se deu à meia-noite (pra quem é da noite), ou zero-hora (pra quem é do dia). Isso se deu quando fui ao celular mandar mensagem para um tio que também faz aniversário hoje. Tenho a alegria de compartilhar com ele a data natalícia, não o ano. Nos tempos antigos ele era bem mais velho do que eu. Quando fiz nove, ele fez dezoito! Hoje essa diferença é relativamente bem pequena – somos, os dois, uns velhotes.
O dia amanheceu e me levantei para as preces e a caminhada. Abri a porta e a Maneka, minha cadelinha, já me esperava; os outros três me aguardavam à meia-distância. Ao meu bom-dia, todos se aproximaram e começaram a me disputar. Dei um ralho e todos se afastaram, menos a Maneka, que continuou roçando meus calcanhares enquanto eu caminhava pelo quintal.
O dia avançou para a hora do almoço. Havia planos de ir ao restaurante, mas desistimos e resolvemos requentar sobras de ontem. Tinha arroz, que “batizei” com cebola frita e um fio de azeite. Tinha também batata-doce, quiabo, feijão e linguiça calabresa – que fora cozida, depois frita e assada. Assim foi o nosso almoço, que comemos alegremente neste dia especial.
A sobremesa, que dificilmente como, dessa vez foi chocolate. Não quero fazer propaganda, mas a Cacau Show me faz ‘cometer o pecado da gula’ com suas trufas. Comi duas após o almoço, e só não comi mais porque não sou afeito a arroubos à mesa (mentira).
Depois veio a sesta, que tomou deliciosas duas horas de minha tarde. Em seguida, uma caminhada com parte da matilha: a Pituka e o Tiziu – ela uma anciã e ele um idosinho. Deixamos a Maneka e o Pitoko aos prantos, como sempre, e nos esgueiramos pelas ruas do bairro, uma delas muito íngreme e esburacada. Próximo a uma casa em construção, no mato, havia duas tábuas em meio a cupins que devoravam um tronco de madeira. Bati bem as tábuas, livrando-as dos insetos e as peguei, voltando pra casa com os cães e a pequena “fortuna” nos ombros. Essa sucata será muito brevemente transformada num pequeno móvel.
A tarde, que chegara ligeira, despediu-se apressada e veio a noite. A minha companheira perguntou se eu não queria sair. Havíamos planejado ir a um barzinho – aqui na cidade há vários e muito bons. Não, não vamos sair. Ficar em casa é o melhor programa que se tem. Essa decisão foi aprovada por unanimidade.
Agora, pra terminar o dia, decidi registrar esses pequenos traços de um cotidiano, que se faz pleno exatamente pela sua rotina frugal.
Ah, e o ‘presente de aniversário’? Sim, houve um presente. Ele está na foto que abre o texto. Uma pequena prateleira feita com retalhos de madeira, que fiz ontem e hoje instalei. Ela terá grande utilidade para nós, onde poremos os remedinhos do dia a dia.
FILIPE
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