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RUPTURAS

por feldades, em 27.04.18

Rupturas acontecem ao longo de uma existência: vida mais longa, mais rompimentos. A velha aritmética demonstra isso, e convence. Entre os muitos enlaces e desenlaces, há entrelaçamentos de frágeis estruturas que trincam, vergam e desmoronam ao sabor das mais amenas emoções. Tudo parece ir bem, sem esforço, mas sempre da ordem para o caos – conforme manda a ‘entropia’.

 

Rupturas acontecem entre colegas, vizinhos e, acredite, ‘amigos’ de redes sociais. Aliás, essa forma de amizade parece tão sólida quanto uma paçoquinha. Eventualmente há nessas mídias alguma solidariedade, vale registrar. Todavia, a convivência cotidiana é o grande teste a que todos nos submetemos, e nele sucumbimos.

 

Romper-se com amigos ou familiares é rotineiro e dolorido. Não há por que comemorar o fim de uma proximidade, mas, apesar desses tropeços, a Terra continua em seu bailado girando, girando. E a vida segue sua trajetória curva. Nós, rápido ou devagar, vamos passando a passeio.

 

Uma fratura conjugal é a mais dramática de todas as rupturas. Ainda hoje, deparei-me com um caso desses. A mocinha confidenciou-me com olhos marejados a separação dos pais. Sem algo a lhe dizer, apenas balbuciei palavras do tipo “se precisar de um apoio emocional, conte comigo”. Ela agradeceu, dizendo: “Foi melhor para os dois!”

 

Aquele triste desfecho teria sido precedido de uma ‘fermentação’ não simples. Um religioso, quando “fermentado” por uma crise, pode reclusar-se em sua cela, consumir-se em ascese e arrebatar-se numa ‘experiência mística’. Para um casal em crise, no entanto, não há ascese nem mística que o auxilie. Terá que resolver suas pendengas “olhos nos olhos”, tête-à-tête. Nada de dormir no sofá, porque a crise só vai agudizar. A busca solitária de “novos ares” como botecos, viagens etc. selam inapelavelmente o fim da relação.

 

Muita gente parece não saber, mas o reatamento de um casal não é como a reconciliação de irmãos, amigos ou vizinhos. Aquele terno e lacrimoso abraço é para uma reconstrução fraterna. É lindo, maravilhoso, mas não cola "cacos conjugais". Na relação de um casal, não se oferece apenas o teto, a mesa, a mão. Oferta-se o corpo, esse sacrossanto e improfanável templo.

 

Nada justifica, contudo, o ódio pós-relação. Não sendo possível a convivência, que permaneça o carinho. A humanidade precisa mesmo é de amor fraterno – que sempre cabe, porque sua medida é justa.

 

Ao longo dos anos, encontrei pessoas amáveis, as quais não consegui retribuir afeto. Também encontrei pessoas amargas. Algumas daquelas adoçaram um bom naco da minha vida. Encontrei também amigos de verdade, mas alguns se afastaram, enquanto outros ‘perseveram’.

 

Com muitos ou poucos amigos, no fim estaremos sós. Ninguém estará conosco no momento derradeiro. A solidão, sim, é a mais fiel e íntima das companheiras. Abracemo-la porque com ela nunca romperemos. A solidão jamais nos abandonará!

 

FILIPE

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3 comentários

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De Maria Lucia Moreira Bastos a 27.04.2018 às 18:22

Que lindo, Felipe, e tão real!! gratidão!
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De Maria Lucia Moreira Bastos a 27.04.2018 às 18:25

Hoje estou saudosa, ontem completou 4 anos de falecimento de meu irmão, que foi meu porto seguro, e hoje meu pai completaria 91 anos, se aqui ainda estivesse.
Sem imagem de perfil

De Aureliano a 07.05.2018 às 20:55

As rupturas são uma realidade humana desde a concepção.Quantas rupturas ou rompimentos houve para que um ser humano viesse à lume! Então não é de se estranhar que elas continuem acontecendo. A diferença está no fato de que há rupturas para mais vida e há rupturas para menos vida.
Penso que nas relações conjugais e comunitárias as rupturas precisam ser feitas. Sem elas é impossível o pulsar de nova vida. Sem elas não há oxigenação das relações. Intenciono falar de rupturas com aquelas realidades que levam o casal ou a comunidade às angústias da morte. Os cortes ou podas precisam ser feitos para que as partes "produzam frutos".
O ser humano não existe para viver aprisionado,
sufocado. Não se pode tirar a liberdade do indivíduo. Por isso mesmo ele é indivíduo, isto é, não-dividido.
A grande tarefa humana é conciliar liberdade e limite, individualidade e comunidade. Sem individualidade e comunidade não se constrói fraternidade. Sem esta última, estamos todos condenados à tirania da violência.

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