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SEM PALAVRAS

por feldades, em 07.08.15

foto.JPG

 

“Não tenho palavras para descrever um momento tão belo!”

 

A frase acima deu título a uma série de imagens das Bodas de Diamante de meus pais postadas por uma irmã em sua página do “feice”. Não, não há mesmo palavras que deem conta disso. Comemorar ‘sessenta anos de comunhão conjugal’ não é para muitos. Os obstáculos vão desde causas naturais, como falecimento, a sociais e culturais, que resultam em separações.

 

Capítulo à parte, a cerimônia religiosa foi conduzida por sete sacerdotes, dentre eles, três (!) são filhos do casal. A capela de S. José, o Patrono da Família, ficou lotada, com gente de várias partes do país; alguns percorreram mais de mil quilômetros, apenas para participar desse evento. Havia parentes próximos e distantes; e amigos, muitos amigos.

  

Fato raro, que também deve ser registrado, foi a reunião dos “Moura Lima”. Em trinta e cinco anos, desde o nascimento do caçula, esta foi apenas a terceira vez em que se fizeram presentes os treze: papai, mamãe, agora de birote, e seus onze filhos. Uma foto para história da família!

 

Muito mais do que a “foto oficial” da “família Moura Lima”, há ali algo transcendente, que uma câmera fotográfica jamais pôde captar: a harmonia familiar. E não se pode considerar tal fato um mérito, porque nada fizemos para tão grande merecimento, mas uma graça divina. A nossa família, embora imperfeita como tantas, traz esse traço. Papai costuma dizer, cheio de júbilo: “A minha maior alegria é saber que meus filhos querem bem uns aos outros”, e acrescenta: “É muito triste ver irmãos brigados: às vezes, quando um chega, o outro sai, porque não conseguem permanecer no mesmo espaço”.

 

Meu pai tem razão. Nós, pelo menos agora, na maturidade, não trocamos xingamentos nem puxões de cabelo. No passado distante, porém... Mas deixemos pra lá esses rasgões, já há bem anos suturados pelo ‘cinto paterno’. Contudo, cada um de nós mantém lá suas manias e “entojamentos”. Caso dividíssemos cotidianamente o mesmo ‘quadrado’, não faríamos inveja a ninguém, nem sequer às famílias mais barraqueiras. Mas, convenhamos, vivendo assim, à distância, seria muita desfaçatez criar ou alimentar picuinhas, não acha?! Mas, parafraseando Caetano Veloso, “de perto, nenhuma família é normal”. E a nossa família não foge a essa regra “caetâneca”.

 

As noites na varanda de meu pai, durante o tríduo a que se tornara a comemoração das Bodas, foram de festa. Modinhas sertanejas, das mais genuínas, eram entoadas ao som plangente de um violão. Dentre as músicas do repertório sertanejo-raiz, destacaram-se os clássicos: ‘Menino da Porteira’, ‘Índia” e ‘ A Velha Porteira’. Até o saboroso ‘Franguinho na Panela’ – que saiu um pouco cru, porque desafinado – foi por todos degustado. Tudo isso fartamente servido à rega de um chimarrão divino, cuja erva-mate foi trazida por amigos do Sul, também presentes naquele doce mafuá.

 

A festa, que teve início na sexta-feira, com orações, cantoria e lançamento de livro, foi encerrada no domingo. Uma Celebração na nossa varanda, alguns emocionados depoimentos e o almoço selaram aquele ‘tríduo’, que já deixa saudades.

 

Nem palavras nem imagens podem exprimir a sublimidade desta “Caná”. Talvez apenas a memória de quem viu e viveu momento tão singular possa contemplar esses santos ‘Mistérios Gozosos’.

 

FILIPE

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4 comentários

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De Imaculada a 07.08.2015 às 12:31

Felipe, bom dia!
Suas palavras nos levam a um momento único e inesquecível. Realmente nem fotos e palavras conseguem exprimir as emoções vividas nas bodas de seus pais; sinto imensa alegria de ter partilhado este momento com vocês. Quando fecho os olhos,revivo com alegria os momentos ali vividos. Que Deus continue abençoando vocês, para que mesmo nas adversidades mantenham unidos. Abraços.
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De Renato Pires de Godoy a 08.08.2015 às 03:12

Não seria capaz de elaborar um texto a altura diante do que li. Me reservo apenas ao júbilo por contemplar tanta felicidade.
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De Aureliano a 08.08.2015 às 14:50

Muito bem, Filipe.
Papai, nos escritos do 'feice', quase sempre conclui dizendo que 'tudo é graça de Deus'. E ele, sem ter frequentado as 'Escolas Teológicas', entendeu muito bem a realidade da ação de Deus na vida humana nas 'Escolas da Vida'.
Fiquei gratamente surpreendido com a beleza da festa. Nada de extraordinário, nada de sofisticado, nada de megalomania, nada de vaidade, nada de idiotice (no sentido radical do termo), nada de discriminação ou desprezo de alguém. Pelo contrário, na simplicidade vivida e pedida pelo patriarca e anfitrião, tudo transcorreu como no cotidiano de nossa casa: cada um se ajeita; uns ajudam os outros a preparar as coisas quando o serviço aperta; todo mundo quer se acomodar por ali mesmo, ainda que meio apertado: ninguém quer sair do 'monte'. Uma maravilha!
Nossos desencontros de irmãos não tocam a essência, o fundante da vida. Estão na superfície. É só voltar para casa que as coisas se ajeitam de novo. E a saudade, o desejo de se reencontrar reacende mais uma vez. Uma das coisas admiráveis entre nós é a partilha. Isso nos foi ensinado pelo papai e pela mamãe, já lembrava a primeira mana na celebração daquele dia na varanda. Se um irmão precisar, o outro já está ali, pronto para ajudar. Isso é maravilhoso! É dom de Deus correspondido. Essa chama não pode se apagar. O espírito de despojamento, de desapego, de partilha é o espírito de Jesus. É o que nos faz discípulos do Mestre de Nazaré.
E a presença de gente de todos os lados foi, realmente, encantador. Uma presença gratuita, amistosa, divina. Não havia nenhuma pretensão a não ser experimentar a alegria da convivência, da celebração.
Tudo é dom e graça que precisam ser partilhados, repartidos, ajudando-nos a compreender a dor e o sofrimento de tantas famílias marcadas por desencontros.
José Lopes e Juracy de Moura: troncos cujo cerne foi imunizado pela ação do Espírito Santo. Por isso continuam espargindo o amor do Pai. Graças a Deus.
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De Carlos Lopes a 08.08.2015 às 21:30


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A foto e o resumo fantástico dessa epopeia é a fatia do bolo que saboreamos desse dia abençoado.


PS. Gostei do “caetâneca”.

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