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DONA MARIA

por feldades, em 16.08.14

Publicado no extinto "blogdofilipemoura" em maio de 2011.

 

Vivera para além dos noventa anos, e os últimos cinco apartada da família e dos amigos. Mas não era infeliz e gostava de prosear. Tivera alguns filhos, mas um deles se fora há alguns anos. A morte trágica do filho deixara-lhe profundas marcas. Ao visitá-la, de longe e já me reconhecendo, exclamava comovida: “Ah, o meu filho que Deus mandou pra mim. Perdi um, mas Deus me deu outro!” – brincava. Chegando, sentava-me ao seu lado e ela, por sua vez, pegando-me uma das mãos, lamentava a morte prematura daquele por ela gerado. “Marido morre, a gente arranja outro, mas filho... não tem jeito, não dá pra arrumar outro. Você se lembra dele?” – sempre me fazia essa pergunta ao final de sua máxima, ao que eu respondia: “Não me lembro dele, porque não cheguei a conhecê-lo”. Ela me parecia ainda mais triste com  a resposta, mas logo um sorriso brotava e se punha a falar de outras coisas.

 

Assim que ingressara naquela casa – voluntariamente, fazia questão de dizer –, conhecera um senhor que por ela se encantou. Homem sisudo, seu Natal nunca ria. Apenas dona Maria seria capaz de desmontar aquela sisudez. Ao lado dela, parecia um garoto de tão feliz que era. Aos poucos, de estreito passando a largo, seu sorriso era todo para ela, por quem se apaixonara de verdade.

 

Natal amou Maria e por ela foi muito amado. Mas, chegou um dia em que Natal não mais podia vê-la. Seus pés, feridos, não permitiam caminhadas, ainda que curtas, para visitar Maria que se encontrava acamada. Assim, embora sob o mesmo teto, os dois não se viam e Natal não mais sorria. No entanto, dona Maria não se queixava. Tinha, sim, saudades do amado e de uma comidinha mais caseira. “Não consigo comer carne cozida. Para mim, tem que ser frita e bem temperada. Essa que me servem, eu não como!” – desabafava com muita freqüência. Reclamava também da sopa servida como jantar. “Todo dia, sopa de macarrão, não aguento mais. O almoço até que dá pra engolir, mas a janta... Eu não gosto!” Sempre a ouvia e com ela concordava sem, no entanto, precisar me esforçar para isso.

 

Dona Maria já não sofre. Para sempre, repousará ao lado do filho amado e na memória de quem teve o privilégio de conhecê-la. Ela se foi num dia especialmente belo, e agora triste. Foi no Dia das Mães que ela partiu, sem ter como avisar e sem se despedir do amado Natal.  Ah! Como deve sofrer aquele que, no degredo, ainda a ama em segredo!

 

FILIPE

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