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TEREZINHA

por feldades, em 11.12.21

terezinha.jpeg

O ano era 1980; a cidade, Juiz de Fora. Eu havia me alistado para o serviço militar e fui convocado para servir numa unidade de cavalaria que ficava na região central daquela cidade. E foi nessa ocasião que conheci a Terezinha.

 

Tudo começou assim. No quartel, tive como chefe de seção o subtenente Lopes, a quem chamávamos carinhosamente de ‘Sub’. Este era um militar trabalhador, justo, cordial, e por quem eu me afeiçoei desde o início, mal sabendo ser ele o Zezinho,  esposo da “Terezinha da tia Áurea”.

 

Certo dia, o subtenente Lopes me chamou para acompanhá-lo num serviço que ele faria na cidade. A certo ponto, ele mandou o motorista estacionar a viatura, desceu e me convidou para acompanhá-lo. Em seguida, ele abriu um portão e, com um gesto, fez com que eu continuasse o acompanhando. Bom soldado que era, fui atrás dele. Então o ‘Sub’ afundou casa a dentro, e eu atrás... Já na cozinha, ele anunciou jubiloso à esposa a ‘chegada de um primo dela’. Era bem cedinho e a Terezinha estava ainda de pijama, trazendo consigo uma xícara de café e um cigarro. Assim que eu fui apresentado, ela já me tratava como um dos seus. Começou perguntando sobre meus pais, depois sobre seus parentes e, por fim, sobre sua Guiricema, de onde saíra havia muitos anos. Aquela mulher me foi tão intensamente agradável, que voltei lá outra vez, mais outra e outra, e passei a me sentir “um da casa”.

 

Conheci aquela família, começando pelo casal Zezinho e Terezinha. Depois fui me aproximando dos filhos: primeiro o Sérgio, que foi meu colega de farda; depois o Carlos, um magricela barbudo e cabeludo, com ideias libertárias e de quem passei a ser discípulo, amigo e confidente; finalmente a Rosana, Sandra, Rita, Marcelo, Márcio e Lurdes –  a “filha mais velha”.

 

Muitas são as passagens docemente vividas que fazem da Terezinha uma pessoa muito especial para nós. Papai, sempre que ia a Juiz de Fora, quando podia, passava na casa dela. Mais de uma vez mamãe, quando precisou ser internada ou fazer exames em Juiz de Fora, foi acolhida pela Terezinha. Há outros parentes, como uma tia, que também ficaram na sua casa por algum tempo antes ou após a internação. Essa prima sempre foi assim: hospitaleira, caridosa, desapegada... Com a palavra os muitos pedintes que a abordavam!

 

Certa vez, eu estava vivendo de bicos e passava por uns perrengues danados. Sabendo disso, a Terezinha me disse: “Sei que você está em dificuldade. Eu não posso fazer muita coisa, mas posso lhe garantir o almoço aos domingos. Então, todo domingo estou lhe esperando para a refeição. Mas é para vir mesmo, hein!”

 

A muito amável Terezinha sempre nos tratou com indistinto carinho.  Mas, vou revelar um segredo dela. O seu grande xodó foi meu irmão mais velho, o padre. Com este ela brincava (e brigava também) como se crianças fossem. O encontro dos dois era muito divertido. Muitas vezes a ouvi dando umas broncas bem brabas nele, e ele fazendo ouvidos moucos, como se nada estivesse acontecendo.

 

É... A vida, que segue reto seu curso, parece bastante apressada. Isso porque hoje perdemos a Terezinha sem que eu pudesse visitá-la.

  

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4 comentários

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De Anónimo a 11.12.2021 às 08:17

Obrigado mano novo, hoje Terezinha está no Reino de Deus, sendo acolhida pelo Pai. Agora o contrário, Deus dê bondade faz dela sua eterna companhia. Deus a acolha entre os seus eleitos preferidos.
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De Andréa Piffer a 11.12.2021 às 13:07

Meus sentimentos, professor! Essa doçura de pessoa leva a mala cheia das bondades que por aqui praticou e por aqui deixa saudades e boas histórias para serem contadas pelos seus entes queridos. Um abraço apertado!
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De Frei Gabriel a 12.12.2021 às 01:53

Conheci a ilustre protagonista apenas de vista.
E quase nada sabia dessa carroça de bondades que carregou desse mundo de aparências para o mundo da verdade, da justiça e da paz, o mundo de Deus!
Obrigado Mano por esse resgate de gratidão dessa bondosa prima que tanto serviu o bem nesta vida, especialmente nossa família!
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De Cynthia Andrade a 12.12.2021 às 08:11

Gostaria de ter conhecido a Terezinha.
Felipe, meu abraço carinhoso!

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