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TURBULÊNCIAS NO PARAÍSO

por feldades, em 27.03.21

Dia 20 de março fez um ano que tivemos de mudar às pressas para fora dos “muros da cidade”. A voraz pandemia, que apenas começava, obrigou-nos a essa aventura, que depois se revelou prazerosa. Morar em região montanhosa, cercado de vegetação, ar limpo e brisa noturna não é algo trivial. Aqui há dessas coisas, e há mais: tenho mangueiras que me dão frutos a seu tempo e sombra a todo tempo, e onde quero amarrar uma rede para as tardes preguiçosas.

 

E tenho bons vizinhos também, cada qual vivendo na quietude de seu canto. Uns criam galinhas, outros cães, outros nada. Não crio galinhas, mas tenho cães que ladram sem parar. Mas a ‘turbulência’ do título não é por conta das matilhas.

 

Tempos atrás tive que comparecer a uma DP como testemunha de acusação contra um sujeito que soltava rojões de madrugada por causa de um galo. O simpático garnisé não entendia que o vizinho protestava e continuava sua cantoria apesar dos estrondos. O “fogueteiro” não se deu por vencido e apelou: antes das seis da manhã, uma bomba fez-se ouvir. Como consequência disso, houve boletim de ocorrência, intimação etc. Contudo, voltou a paz para aqueles lados.

 

Da última vez, embora sem rojões nem boletins, houve um pequeno entrevero entre dois vizinhos, de quem sou amigo. “Meu parente mais próximo é o meu vizinho”, diz a sabedoria popular, e eu costumo levar isso em conta.  Dessa forma, prefiro ficar “de boa” com a vizinhança, sempre evitando qualquer mal-estar.  

 

Meu vizinho, o protagonista desta crônica, tem muitas galinhas, cuida muito bem delas e não as mata, o que me deixa contente. A vizinha também tem lá as suas galinhas e delas aproveita apenas os ovos. Mas houve entre eles um desacerto, que não sei bem os detalhes. Ela nervosa, ele também; ela dizendo que ele tem muito bicho e que tem vizinho reclamando; ele dizendo que se alguém reclama, que fale com ele etc. Como há “vizinhos reclamando”, eu me vendo nesse torvelinho, quis passar a limpo a minha parte e procurei o rapaz na manhã seguinte. Ele estava lidando com as ‘penosas’ e parecia não querer papo comigo, mas insisti para que viesse conversar.

 

Ele chegou bastante desconfiado, pôs o balde com o milho no chão, coçou a cabeça e me retribuiu meio a contragosto o bom-dia. “O que está acontecendo?”, perguntei. “Nada”, respondeu. “Nada?!”, insisti. “Me falaram que um vizinho está reclamando de minhas galinhas e eu falei que é pra falar comigo. Foi isso”, respondeu agora de forma satisfatória. “Pois bem, se o vizinho sou eu, não há reclamação alguma. Gosto do senhor e tenho enorme carinho pela vizinha também. E quero deixar claro que sou inocente nessa questão”. Ele desanuviou o semblante e até ensaiou sorrir, mas fechou-se novamente e disse:  “Olha, eu fiquei bravo mesmo, porque não sei quem reclamou e disse que era pra falar comigo. E sabe de uma coisa?... Eu mandei todo mundo tomar no ‘copo’!” “Ah, disso aí não sabia, mas eu não vou tomar no ‘copo’, porque não tenho a ver com isso, né?...”  E assim parece que ficou resolvida a questão.

 

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